Bom Dia Natureza

A vida renasce no parque. Estamos em janeiro de 2012. Viva la vida.

Meus olhos custaram a acreditar no que viram. Um cenário desolador se abriu em minha frente. Nunca tinha visto de tão perto o que um incêndio de grandes proporções provoca na natureza. A serra do Rola-Moça teve 80% de sua área destruída por um incêndio jamais visto em seus 17 anos de parque florestal preservado. As imagens abaixo falam por si, só não conseguem mostrar o silêncio terrível que estava por lá. A ausência completa de animais deve ser indício da mortandade que houve e as plantas endêmicas da região vão precisar de muitos anos para se recuperarem.
Hoje completa 115 dias sem chuva na região metropolitana de BH. 115 dias de angústia e desolação.

O fogo arde sobre terra. Estamos em setembro de 2011. Nunca houve um atentado assim.

Criminosos seres sem nenhum conhecimento sobre a natureza própria nem sobre a natureza alheia. Se sentem alheios a tudo, marginais da vida. Ateiam fogo sobre a mata seca e retorcida. Plantas que anseiam por um pouco de água, para matar a sede e continuar fazendo o que já fazem há milhões de anos.

O incêndio na Serra do Rola-moça estraçalha meu coração, seca minha boca, queima minha pele, me resume a pó.

As imagens abaixo foram feitas no final do mês de setembro de 2011.

Esta temporada de seca tem sido terrível para nossa Serra do Rola-moça, que arde em chamas, devido a incêndios, quase sempre criminosos.

A Serra do Rola Moça (hoje um parque florestal estadual na região metropolitana de Belo Horizonte) ganhou esse nome, segundo reza a lenda, através do suposto ocorrido a um infortunado casal que voltava de sua cerimônia matrimonial, a cavalo, ao pôr-do-sol. Felizes e distraídos, não viram a noite chegar, apreciando as belezas daquela Serra. Num descuido, então, o cavalo da moça pisa em falso em uma pedra do cascalho solto, caindo despenhadeiro abaixo e desaparecendo no silêncio vazio. Apaixonado e em posse de seu cavalo, o rapaz resolve jogar-se no penhasco de encontro ao seu amor. Esse “causo” famoso na região da Serra foi imortalizado por Mário de Andrade, apreciador do folclore das diversas regiões do país, que escreveu o poema em outubro de 1954:

A Serra do Rola-Moça

Não tinha esse nome não…

Eles eram do outro lado,

Vieram na vila casar.

E atravessaram a serra,

O noivo com a noiva dele

Cada qual no seu cavalo.

Antes que chegasse a noite,

Se lembraram de voltar.

Disseram adeus para todos

E puseram-se de novo

Pelos atalhos da serra

Cada qual no seu cavalo.

Os dois estavam felizes,

Na altura tudo era paz.

Pelos caminhos estreitos,

Ele na frente ela atrás.

E riam. Como eles riam!

Riam até sem razão.

A serra do Rola-Moça

Não tinha esse nome não,

As tribus rubras da tarde

Rapidamente fugiam

E apressadas se escondiam

Lá embaixo nos socavões

Temendo a noite que vinha.

Porém os dois continuavam

Cada qual no seu cavalo,

E riam. Como eles riam!

E os rios também casavam

Com as risadas dos cascalhos

Que pulando levianinhos

Da vereda se soltavam

Buscando o despenhadeiro.

Ah, Fortuna inviolável!

O casco pisara em falso.

Dão noiva e cavalo um salto

Precipitados no abismo

Nem o baque se escutou.

Faz um silêncio de morte.

Na altura tudo era paz…

Chicoteando o seu cavalo,

No vão do despenhadeiro.

O noivo se despenhou.

E a serra da Rola-Moça

Rola-Moça se chamou.

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