Reciclagem para condutor infrator

Primeiro o assombro, depois a revolta e por fim a aceitação. Em todas estas fases no entanto a dor nunca acaba, ela vai se transformando, ganhando contornos sutis de arrefecimento dos sentimentos.

Ao contemplar uma montanha ou mergulhar no mar. Num grande desfiladeiro ou num deserto sem fim de areias finas e voláteis, percebo como somos pequenos perante o mundo. O que julgamos importante torna-se um mero detalhe no curso das coisas. Minhas preocupações e afazeres não lhe diz nada. Ela, a natureza, não se preocupa com a gente. Não se preocupa porque sabe que dela fazemos parte. O menor átomo de carbono de minha mão já pode ter sido de uma baleia, uma larva vulcânica, um dinossauro, uma cebola. Somos átomos de carbono e um dia seremos reintegrados. Como nos encontraremos um dia diante da morte, a “indesejada das gentes”? Estaremos sozinhos no mais importante e temido momento de nossa existência? Mas quando ela chegar perto demais, direi: não me preocupo com o dia de amanhã, porque Deus já está lá, me esperando.

Primeiro o assombro, a notícia, a citação, o comunicado…
Depois a revolta, porque comigo, eu não merecia, e vai e vai…
Os dias vão passando, as horas vão passando, os minutos vão passando… acostuma-se.