Habemus Papam

2005E Vento assola cardeais que elegeram o Papa Bento XVI em 2005. Raio no Vaticano Raio atinge Basílica de São Pedro no dia do anúncio que Bento XVI iria renunciar.

As imagens acima, coincidentes ou não, mostram de forma simbólica os caminhos que a grande igreja tem seguido nestes tempos de tantas transformações. Elas parecem traduzir uma Igreja perdida, envolta em si mesma, entremeada de lama e escândalos. O vento parece querer dizer; venha urgente novos ares, para oxigenar uma instituição de dois milênios, sempre permeada por obscuridade e conspirações. O raio talvez queira dizer o inevitável que nenhum deles quer acreditar: a decadência, lenta agonia de uma Igreja que caminha para a obsolescência e indiferença neste mundo cada vez mais secular, consumista e desprovido daquilo que um dia fez a maior diferença na historia da humanidade: a invenção do amor, do amor pelo próximo e da compaixão pelo outro.

As línguas ferinas dizem que realmente a Igreja Católica é realmente divina e eterna, pois se em dois mil anos os homens não puderam acabar com ela, é porque  é divina e eterna. De fato, em qualquer fase da história da igreja é possível ver como os homens dela se apoderaram e a usaram ao limite para impor convicções, fazer limpezas, impedir a ciência, locupletarem-se, enfim, de  a usarem somente como instrumento de dominação e medo.

Daqui a alguns dias haveremos de escutar o Habemus Papam,  que traduzindo do latim para o português vira “Temos Papa“. O texto é lido pelo cardeal  protodiácono e decano que é o mais velho entre os cardeais da ordem dos diáconos para anunciar a eleição de um novo papa. O texto anuncia ao povo católico que um novo pontífice foi eleito e que o escolhido aceitou a eleição. Isto não antes de vermos a fumacinha branca da chaminé da Capela Sistina com o povo em festa pela praça de São Pedro.

O que me salta aos olhos e denuncia tamanha novidade desta renúncia nestes nossos tempos modernos é desilusão do papa nos seres humanos, principalmente nos que o cercam, principalmente nos que tem a missão de transmitir aos outros tudo que o Cristo deixou como fundamento para uma sociedade melhor. Não quero me alongar aqui nos casos de pedofilia e luta pelo poder na Santa Sé. Desenganos maiores que suas já fraquejadas forças não puderam aguentar, se forem mesmo estes os grandes motivos de sua renúncia, ao dizer que o faz para “salvar a igreja”. Me sinto como o papa. Porém não tenho a coragem do papa. Perdido de minhas ilusões vou levando a vida como ela se impõe. Como o papa às vezes sinto todo o peso do mundo em minhas costas.